Comentarios da Lição da Escola Sabatina
feitos pelo pastor Albino Marks
Lição 11 MISSÃO EM TERRA PAGÃ – DANIEL E COMPANHIA
Pr. Albino Marks
É aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos”. – Ap. 1:18.
INTRODUÇÃO – Nem sempre é fácil compreender os caminhos e os propósitos de Deus para a nossa vida. Em muitas circunstâncias as influências satânicas e mesmo as que consideramos de origem humana, envolvem com tal poder as situações que enfrentamos, que nos perguntamos perplexos: Por que tudo isso acontece comigo?
Daniel e seus três jovens companheiros certamente passaram por estes vales escuros de angústias e incertezas. Por que Deus permitiu que os nossos inimigos pagãos dominassem nossa nação? Por que somos humilhados e ultrajados por aqueles que não temem a Deus? Por que somos levados para uma terra distante e estranha em cativeiro? Certamente estas e outras perguntas os atormentaram.
O rei Davi, que enfrentou muitos momentos escuros e aparentemente sem escape, legou-nos esta profunda e firme orientação em relação à confiança na liderança de Deus: “Entrega o teu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá”. – Sl. 37:5 – NVI.
Todos os acontecimentos que têm lugar em nosso mundo, assim sucedem porque a mão invisível do Criador e Mantenedor a tudo controla e determina. “Eu o Senhor faço todas estas coisas. Eu controlo todos os acontecimentos, os bons e os maus”. - Is. 45:7 - BV.
Isto está muito evidente na experiência de Jó. Deus controlou a maligna ação do diabo em harmonia com os Seus desígnios, em todos os acontecimentos da vida de Jó.
Com absoluta certeza pode ser afirmado que a mão de Deus controla todos os acontecimentos de um mundo rebelde e violento, necessitado de salvação. Assim como pela voz do Espírito Santo, o Pai dirige Seu convite amoroso para o filho pecador, assim Ele atua silenciosa, mas poderosamente em todos os acontecimentos provocados por Satanás, agitando a rebeldia dos pecadores.
PENSE – “Nos anais da história humana o crescimento das nações, o levantamento e queda de impérios, aparecem como dependendo da vontade e façanhas do homem. O desenvolver dos acontecimentos em grande parte parece determinar-se por seu poder, ambição ou capricho. Na Palavra de Deus, porém, afasta-se a cortina, e contemplamos ao fundo, em cima, e em toda marcha e contra-marcha dos interesses, poderio e paixões humanas, a força de um Ser todo misericordioso, a executar, silenciosamente, pacientemente, os conselhos de Sua própria vontade.” - Ed. pág. 173.
DESAFIO – “Permiti que vos diga que o Senhor operará, nesta última hora, de maneira muito fora da ordem comum das coisas e de um modo que será contrário a qualquer plano humano,... Deus usará os meios e recursos pelos quais se verá que Ele está tomando as rédeas em Suas próprias mãos. Os obreiros ficarão surpreendidos em ver os simples meios que Ele usará para concluir e aperfeiçoar Sua obra de justiça.” - Ev. pág. 118.
UM FUNDAMENTO ESPIRITUAL – Em Seu programa para a restauração do homem e do mundo caídos, destaca-se, pelo trabalho básico que pode e deve realizar em sua área de ação, a família. Como célula máter do corpo, é imprescindível que atue em perfeita ordem. “Uma casa cristã bem ordenada é poderoso argumento em favor da realidade da religião cristã - argumento que o incrédulo não pode contradizer”. - LA. pág. 36.
Avaliar a influência da família no fortalecimento ou enfraquecimento da missão da Igreja é algo impraticável, contudo visível. Uma Igreja formada por lares desordenados não pode exercer a influência e executar a tarefa de que é comissionada.
É no lar que as pessoas aprendem mais facilmente os deveres que devem desenvolver para com Deus na Igreja. O fortalecimento do indivíduo na família, fortalecerá a Igreja.
Acima de todas as influências, Deus comissionou-a com a tarefa de transmitir ao pecador rebelde e impenitente, Seu convite de amor, chamando-o ao retorno a Ele para recompor o relacionamento rompido. No entanto, para a família cumprir esta importante missão, ela precisa estar fundamentada e edificada nos princípios da Palavra.
“Se se espera que a religião influencie a sociedade, deve ela influenciar primeiro o lar. No lar é posto o fundamento da prosperidade da Igreja. As influências que regem a vida no lar são levadas para a vida da Igreja; portanto os deveres paroquiais devem começar no lar.” - Idem, pág. 318.
Foi esse tipo de lar que preparou os quatro hebreus para o contundente testemunho em terra pagã.
PENSE – “Tomai a Palavra de Deus como vossa conselheira. No lar vivei os ensinos da Palavra. Então havereis de vivê-los na Igreja e os levareis convosco ao trabalho. Os princípios do Céu enobrecerão vossas transações. Anjos de Deus cooperarão convosco, ajudando-vos a revelar Cristo ao mundo”. - LA. pág. 214.
DESAFIO – “E irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado”. - Luc. 1:17 - ARA.
AS PRIMEIRAS PROVAS – A experiência de Daniel e seus companheiros é significativa. Levados para o cativeiro no ano 605 a. C. representavam um remanescente fiel de um povo que caíra em apostasia geral.
No cativeiro enfrentaram as circunstâncias mais adversas e contraditórias. No aspecto econômico, a nação babilônica atingira o clímax de poder e glória; no aspecto cultural humanista reconhecidamente alcançaram o apogeu; no aspecto espiritual, em gritante contraste com a fé israelita, eram idólatras consumados, descrentes, atrevidos e ousados.
Nesta conjuntura, enfrentando todo o acervo de conhecimentos humanos, toda a influência do poder de conquistadores que era atribuído aos seus deuses, Daniel faz a sua proposta: “... se nos dêem legumes a comer e água a beber”. – Dan. 1:12 – ARA.
Depois de três anos de aplicação destes princípios simples, contra toda a cética expectativa dos entendidos da época, a sabedoria e a justiça das leis do Deus criador do universo são proclamadas com poder irrefutável a um mundo completamente divorciado dEle.
Nesta geração, a mais enfraquecida, a mais corrupta, a mais depravada, a mais ignóbil, a mais pecadora, a mais ousada e atrevida contra os princípios da Palavra de Deus, também a mais enferma e pestilenta, Deus quer provar a todo o Universo que Suas leis são sábias e justas, e revelam-nO como Pai amoroso, justo e anelante pelo bem-estar de Suas criaturas. E torna esta demonstração um privilégio concedido a Seus filhos. Pela sua maneira de viver reivindicarão a justiça divina ou abonarão a destruidora interferência satânica.
PENSE – “Ele deveria ensinar-lhes a língua e a literatura dos babilônios”. – Dan. 1:4 – NVI.
DESAFIO – “Depois compare a nossa aparência com a dos jovens que comem a comida do rei, e trate os seus servos de acordo com o que você concluir”. – Dan. 1:13 – NVI.
DEUS DE TODOS – A grande pergunta de Deus: “A quem, pois, Me comparareis para que Eu lhe seja igual? diz o Santo”. - Is. 40:25 - ARA.
Para os patriarcas Deus se revelou como EL-Shaddai – O Deus Todo-Poderoso. Aquele que exerce o Seu poder independentemente, sem nenhuma interferência e restrição. Não há ninguém que possa impedi-lO de realizar os Seus desígnios. Ninguém que se Lhe possa opor. Ele atua e executa a Sua vontade quando e como quer.
Assim Ele abateu ao pó o orgulhoso Egito, conduziu Israel escravo através do deserto, ergueu o poderoso império babilônico e no tempo determinado o fez desaparecer. Ele é o Deus de todos os povos.
“Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade; que Eu sou Deus e não há outro, Eu sou Deus, e não há outro semelhante a Mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o Meu conselho permanecerá de pé, farei toda a Minha vontade.” - Is. 46:9 e 10.
Todos os acontecimentos são previstos por Deus. Nada acontece escapando à Sua percepção. Mas, o mais importante, em meio a todos os acontecimentos, Ele declara: “O Meu conselho permanecerá de pé, farei toda a Minha vontade”.
Referindo-se a Ciro o Senhor declara: “Eu lhe darei toda a força necessária para conseguir a vitória, apesar de você não Me conhecer. Eu farei isso acontecer para que todas as nações, do Oriente ao Ocidente, saibam que não há outro Deus além de mim “. - Is. 45:5 e 6 - BV.
Ele também é Salvador de todos os povos: “Todos os que guardarem o sábado, ... trarei ao meu santo monte e lhes darei alegria em minha casa de oração”. – Is. 56:6 e 7 – NVI.
PENSE – “Quando Deus quer que uma grande obra seja feita no mundo ou uma grande injustiça corrigida, faz isso de maneira bastante fora do comum. Ele não envia terremotos nem relâmpagos. Em lugar disso faz nascer um bebê indefeso, talvez numa casa simples e de mãe obscura. Deus coloca então Sua idéia no coração da mãe e ela a coloca na mente da criança. As grandes forças no mundo não são os terremotos nem raios e trovões. As grandes forças do mundo são os bebês”. - E. T. Sullivan - As Sete Necessidades, pág. 54.
DESAFIO – “Pois a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos”. – Is. 56:7 - NVI.
INTÉRPRETE DE SONHOS – O rei Nabucodonosor teve um sonho da parte de Deus. Dois grandes propósitos de Deus envolviam o sonho: Revelar-se como o único Deus verdadeiro, declarando nulos todos os deuses babilônicos e revelar ao rei e à posteridade, os acontecimentos da história humana até o glorioso dia do fim do pecado e o restabelecimento do reino de Deus neste mundo. Apesar da grandeza do sonho, sob a ação de Deus, o rei o esqueceu.
Convocou todos os sábios em suas várias categorias, para contar-lhe o sonho e dar o seu significado. Todas as tentativas redundaram em fracasso total.
Para convencer o rei de Seus grandes propósitos, Deus revelou para o profeta Daniel, o desenvolvimento do plano da salvação e de acontecimentos temporais correlatos desde seus dias até a restauração do mundo caído, com o estabelecimento de Seu Reino eterno. “Então o mistério foi revelado a Daniel de noite, numa visão”. – Dan. 2:19 – NVI.
Com as orientações reveladas, Daniel apresentou-se perante o rei Nabucodonosor, para fazer uma exposição inequívoca desde o presente do império Babilônico e do futuro da história do mundo, demonstrando para o rei os dois grandes propósitos de Deus: “Daniel respondeu: ‘Nenhum sábio, encantador, mago ou adivinho é capaz de revelar ao rei o mistério sobre o qual ele pergunta, mas existe um Deus nos céus que revela os mistérios. Ele mostrou ao rei Nabucodonosor o que acontecerá nos últimos dias’”. – Dan. 2:27e 28 – NVI.
Daniel deixa claro para o grande monarca que o Deus dos céus é o único que conhece todos os acontecimentos e determina o curso da história de nosso mundo. “Desde o início faço conhecido o fim, desde tempos remotos, o que ainda virá”. – Is. 46:10 – NVI.
Apoiado nesta verdade, Daniel pôde dizer para o rei Nabucodonosor: “O Deus poderoso mostrou ao rei o que acontecerá no futuro. O sonho é verdadeiro, e a interpretação é fiel”. – Dan. 2:45 – NVI.
PENSE – Os astrólogos responderam ao rei: ‘Não há homem na terra que possa fazer o que o rei está pedindo! Nenhum rei, por maior e mais poderosos que tenha sido, chegou a pedir uma coisa dessas a nenhum mago, encantador ou astrólogo. O que o rei está pedindo é difícil demais; ninguém pode revelar isso ao rei, senão os deuses, e eles não vivem entre os mortais’”. – Dan. 2:10 e 11 – NVI.
DESAFIO – “Revela coisas profundas e ocultas; conhece o que jaz nas trevas, e a luz habita com ele”. – Dan. 2:22 – NVI.
DUAS PROVAS DE VIDA OU MORTE – O desejo de exaltação própria é muito difícil de ser dominado. Nabucodonosor recebeu uma revelação inequívoca de Deus, como o Soberano supremo, aquele a quem todos humildemente devem se submeter. Nabucodonosor não aprendeu a lição e de maneira ousada afrontou a grandeza da Soberania de Deus. Erigindo uma grande estátua de ouro puro, procurou endeusar-se e eternizar-se como um deus. Todos deviam ajoelhar-se diante da estátua ao som de músicas sedutoras.
Mais uma vez Deus foi magnânimo com o rei e revelou-se em pessoa como o grande libertador: “Tornou ele e disse: ‘Eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, sem nenhum dano, e o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses”. Dan 3:25 – ARA.
A imagem que estes jovens hebreus comunicaram para Nabucodonosor, por preceito e exemplo, já havia gravado traços profundos na visão do rei.
Daniel, de cativo tornou-se ministro da poderosa nação que subjugara sua pátria. De vencido e dominado, foi exaltado a mais alta posição de seus conquistadores. “Ora, Daniel se destacou tanto entre os supervisores e os sátrapas por suas grandes qualidades, que o rei planejava colocá-lo à frente do governo de todo o império”. – Dan. 6:3 – NVI.
O espírito de inveja e mediocridade conseguiu condená-lo à morte na cova dos leões. Mais uma vez o testemunho vivo de uma vida inteiramente submissa a Deus atuou sobre as convicções de um rei pagão: “Quando ia se aproximando da cova, chamou Daniel com voz que revelava aflição: ‘Daniel, servo do Deus vivo, será que o seu Deus, a quem você serve continuamente, pôde livrá-lo dos leões?’” - Dan. 6:20 – NVI.
PENSE – “Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos teus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer” - Dan. 3:18 – NVI.
DESAFIO – “Não puderam achar nele falta alguma, pois ele era fiel; não era desonesto nem negligente”. – Dan. 6:4 – NVI.
ESTUDO ADICIONAL – Com o cativeiro de Daniel e seus companheiros duas filosofias de vida se confrontaram: A filosofia da fé na liderança divina e a filosofia da glorificação do homem e sua independência de Deus como seu criador e mantenedor.
Hoje vivemos o mesmo confronto e enfrentamos os mesmos dilemas: Aceitar a Palavra de Deus como um guia seguro para nossa conduta espiritual e moral, e crer no plano de salvação ou questionar as Escritura e qualificar as suas informações como não confiáveis em oposição à declarações de supostos sábios.
“As verdades da Palavra de Deus não são meras opiniões, mas as declarações do Altíssimo… A pessoa que atenta para as Escrituras com atitude de oração obterá compreensão clara e um sólido discernimento como se, ao buscar a Deus, alcançasse um grau superior de inteligência. …
“Daniel foi um estadista em Babilônia. … Por seu fiel serviço, ensinou aos babilônios que seu Deus era um Deus vivo, não uma imagem como as que adoravam. Era desígnio de Deus mostrar aos babilônios que havia um Rei acima do rei de Babilônia – o Deus a quem os hebreus adoravam. Esses jovens exaltavam a Deus.
“De modo semelhante, deseja o Senhor que os adventistas do sétimo dia Lhe sejam testemunhas. Não devem ocultar-se do mundo. Devem estar no mundo, mas não ser do mundo”. – CT. MM. 2002, pág. 351 e 352.
Aceitar a palavra da Escritura como as declarações do Altíssimo, requer um alicerce de fé. Aquele que criou o universo e o rege com Sua suprema sabedoria e Seu infinito poder, merece toda a confiabilidade em Suas informações.
PENSE – “A mente da qual o erro já tomou posse não pode nunca expandir-se livremente em direção à verdade, mesmo após investigação. As velhas teorias clamarão por reconhecimento. O entendimento das coisas verdadeiras, elevadas e santificadas ficará confuso. Idéias supersticiosas penetrarão na mente para misturar-se com o que é verdadeiro, e essas idéias são sempre aviltantes em sua influência. O conhecimento cristão… distingue o leitor da Bíblia que nela crê, que tem estado recebendo os preciosos tesouros da verdade, daquele que é cético e do crente na filosofia pagã. …”. – CT. MM. 2002, pág. 351.
DESAFIO – “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. - João 17:17 – NVI.
|