Comentarios da Lição da Escola Sabatina
feitos pelo pastor Albino Marks
Lição 09 UMA COLUNA DA MISSÃO: O APÓSTOLO PEDRO – II
Pr. Albino Marks
“Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se e reconheceram que haviam eles estrado com Jesus”. – At. 4:13.
INTRODUÇÃO – Na semana passada estudamos aspectos do caráter de Pedro que revelam defeitos e qualidades que não haviam sentido o toque transformador do poder de Jesus. Mesmo caminhando ao lado de Cristo por mais de três anos, vários aspectos conservaram seu impulso vindo da natureza humana pecaminosa.
Mas quando, durante os quarenta dias depois da ressurreição e mais os dez, aguardando a vinda do Espírito Santo, Pedro compreendeu a verdadeira natureza espiritual do Reino de Cristo e a responsabilidade para a missão para a qual foi chamado: “Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens”, - Mat. 4:19 – NVI, a mudança foi radical.
Iremos conhecer na jornada desta lição, Pedro, o novo homem nascido do espírito e liderado pelo poder do Espírito Santo. Os defeitos foram sublimados e mesmo eliminados pela ação poderosa do amor de Jesus, e as qualidades foram aprimoradas e fortalecidas pela atuação do Espírito Santo.
“Vendo a coragem de Pedro e de João, e percebendo que eram, homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram, que eles haviam estado com Jesus”. – At. 4:13 – NVI.
Pedro torna-se um exemplo de dedicação e dinamismo para a missão evangelizadora. Toda a determinação que ele estava disposto a dedicar em favor da causa libertadora de Israel, quando ainda não compreendia a grandeza e a verdadeira natureza da obra de Jesus, foi consagrada em dose dobrada na proclamação da mensagem de salvação de pecadores.
PENSE – “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos”. – At. 4:12 – NVI.
DESAFIO – “Depois de orarem, tremeu o lugar em que estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus”. – At. 4:31 – NVI.
A COMISSÃO DE PEDRO: UM OLHAR MAIS PRÓXIMO – Esta declaração de Jesus já foi muito debatida. Para a Igreja Católica Romana ela é aceita como a eleição de Pedro como primeiro sumo-líder espiritual da igreja que estava nascendo. O argumento carece de fundamentos para obter força de validade.
Nos primeiros lances da Igreja, Pedro realmente aparece como protagonista de liderança. Na escolha do substituto de Judas, é Pedro que conduz os trabalhos da indicação. (At. 1:15). No pentecostes também é Pedro quem toma a palavra para explicar o acontecimento. (At. 2:14). Já nos primeiros passos de organização da Igreja, Pedro não é destacado como o líder, mas entende-se que os doze formaram uma comissão diretiva, sem identificar o líder, tomando decisões e submetendo-as à assembléia de crentes. (At. 6:1-7).
A expansão da pregação do evangelho não tem nenhuma participação de Pedro na decisão. Em verdade o tema foi discutido na Igreja de Antioquia e não em Jerusalém. A liderança daquela Igreja sob a orientação do Espírito Santo determinou a primeira grande campanha evangelística. (At. 13:1-3).
O concílio de Jerusalém reunido no ano 50 D.C. poderia ter-se transformado no grande momento para confirmar a liderança primaz de Pedro. No entanto, todas as indicações demonstram de que quem liderou o concílio foi Tiago. Em Gálatas 2:6, Paulo faz importante declaração referindo a Tiago, Pedro e João: “o que na realidade eles fossem não me interessa; Deus não faz acepção de pessoas – de qualquer forma, os notáveis nada me acrescentaram”. – BJ.
Quando Pedro visitou a florescente Igreja de Antioquia, foi severamente repreendido por Paulo porque assumiu atitudes reprováveis. Não há nenhuma evidência de que houve desrespeito com o líder maior da Igreja.
PENSE – “Como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador”. – Ef. 5:23 – NVI.
DESAFIO – “Venham! Cantemos ao Senhor com alegria! Aclamemos a rocha da nossa salvação”. – Sl. 95:1 – NVI.
A SOMBRA DE PEDRO – Na introdução desta lição fizemos referência às falhas reveladas por Pedro quando confiava em seu próprio poder de tomar decisões. Nesta lição estamos analisando o novo homem, nascido pela atuação do poder do Espírito Santo. Uma seqüência de provas demonstra quão profunda foi a transformação de seu caráter.
No primeiro milagre operado, um aleijado de nascença, ele declarou com veemência: “Saibam os senhores e todo o povo de Israel que por meio do nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem os senhores crucificaram, mas a quem Deus ressuscitou dos mortos, este homem está aí curado diante dos senhores”. – At. 4:10 – N VI.
Depois deste milagre, Pedro e os discípulos eram procurados por aqueles que sofriam de diferentes males e enfermidades. É declarado que muitos colocavam os doentes em “camas e macas, para que pelo menos a sombra de Pedro se projetasse sobre alguns”. – At. 5:15 - NVI.
Quando orientado e dirigido pelo Espírito Santo, foi à casa do centurião Cornélio, este “prostrou-se aos seus pés, adorando-o. Mas Pedro o fez levantar-se, dizendo: ‘Levante-se, eu sou homem como você’”. – At. 10:25 e 26 – NVI.
Em nenhuma dessas situações o velho Pedro teve oportunidade de ressurgir. Mas decididamente toda a glória era atribuída a Deus, a Jesus e ao Espírito Santo. Quando levados perante as autoridades, Pedro, com eloqüente convicção, com poder e determinação declarou: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!” – At. 5:29 – NVI.
PENSE – “A Palavra de Deus precisa ser reconhecida como estando acima de toda a legislação humana. Um ‘Assim diz o Senhor’, não deve ser posto à margem por um ‘Assim diz a igreja’, ou um ‘Assim diz o Estado’. A coroa de Cristo tem de ser erguida acima dos diademas de potentados terrestres”. AA. pág. 69.
DESAFIO – “Portanto, apelo para os presbíteros que há entre vocês, e o faço na qualidade de presbítero como eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, como alguém que participará da glória a ser revelada”. – I Ped. 5:1 – NVI.
ORGANIZANDO A PRIMEIRA IGREJA – Na Sua oração sacerdotal, Jesus pediu a Deus: “Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim, e eu em ti”. – João 17:20 e 21 – NVI.
Essa característica de unidade manifestou-se desde os primeiros movimentos da mensagem apostólica da salvação unicamente por meio de Cristo. Assim, quando os conversos começaram a crescer, “os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum”. – At. 2:44 – NVI.
Como é natural, o crescimento trouxe algumas dificuldades que necessitavam de soluções adequadas. As questões da pregação da Palavra e do atendimento imparcial de todos os que criam gerou uma situação de sobrecarga e um espírito de descontentamento. Estes problemas exigiam uma estrutura de organização. Isto foi prontamente resolvido.
A mensagem começou a espalhar-se e novas congregações começaram a surgir. É importante observar que em nenhuma dessas congregações nasceu o espírito de movimento independente. As lideranças locais que nasciam naturalmente, eram coordenadas pelo grupo apostólico e Cristo tornou-se o centro inquestionável, desenvolvendo a perfeita unidade de missão e propósitos.
PENSE – “Os discípulos de Cristo tinham profundo senso da própria ineficiência, e com humilhação e oração uniam sua fraqueza a Sua força, sua ignorância a Sua sabedoria, sua indignidade a Sua justiça e sua pobreza a Sua inesgotável riqueza. Assim fortalecidos e equipados, não hesitaram em avançar a serviço do Mestre”. – AA. pág. 57.
DESAFIO – “Os discípulos continuavam cheios de alegria e do Espírito Santo”. – At. 13:52 – NVI.
UMA VISÃO MAIS AMPLA – Pedro compreendera e aceitara a salvação pela fé em Jesus sem a necessidade dos símbolos típicos. Quando pregou o eloqüente sermão do Pentecostes, a mensagem e o apelo para a conversão centralizaram-se em Cristo: “Respondeu-lhes Pedro: arrependei-vos, e cada um vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”. - At. 2:38. Nenhuma referência é feita pelo apóstolo a ritos e símbolos.
Quando foi preso e convocado para depor perante o Sinédrio, com convincente poder declarou: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. - At. 4:12 - ARA.
Porém, Pedro e a Igreja em desenvolvimento necessitavam de uma visão mais ampla. Orientado pelo Espírito Santo, Pedro foi conduzido para a casa do centurião Cornélio e anunciar-lhe o plano da salvação.
Perante o auditório formado na casa de Cornélio, o centurião romano, Pedro é categórico em fazer a sua declaração de fé em Jesus como o Salvador de todos os pecadores ao dizer que os judeus circuncisos e os gentios incircuncisos tornam-se irmãos em Cristo pela fé. “A quem se dirigiu, dizendo: Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça; mas Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo”. - At.10:28 - ARA.
Em sua Primeira Carta demonstra plena convicção ter compreendido a missão da Igreja: “Já é bastante, sem dúvida, ter feito no passado a vontade dos gentios vivendo na devassidão, nas concupiscências, na embriaguez, nas orgias, bebedices e idolatrias infames”. - I Ped. 4:3 - TEB.
PENSE – “Ouvindo isso, não apresentaram mais objeções e louvaram a Deus, dizendo: ‘Então, Deus concedeu arrependimento para a vida até mesmo aos gentios”. – At. 11:18 – NVI.
DESAFIO – “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. – I Ped. 2:9 – NVI.
CRESCENDO EM GRAÇA – Posteriormente ao Concílio em Jerusalém, onde a posição da Igreja em relação ao cerimonialismo foi claramente estabelecida, Pedro visitou a florescente congregação de Antioquia. É importante lembrar que esta, em sua grande totalidade era constituída de conversos gentios. Estes, nunca haviam praticado o cerimonialismo israelita, mas antes de aceitar a mensagem da salvação pela fé na graça de Deus através de Cristo, eram escravos do pecado e de práticas rituais do paganismo.
Para Pedro, a barreira de separação fora derribada, e não só partilhava com os gentios a comunhão espiritual mas também da mesa do pão material. Ora, sentar-se à mesa com um gentio incircunciso era grave pecado para o cerimonialista, visto entrar em contato com o imundo. Quando, pois, chegaram alguns judaizantes, Pedro, temendo ser mal visto e talvez sofrer o opróbrio do desprezo pelos seus conterrâneos, afastou-se dos gentios. É quase impossível crer que Pedro, com convicções claras e firmes em sua fé, vacilasse de modo tão desconcertante anos mais tarde.
Os grandes homens, os líderes do trabalho em favor da causa de Deus também podem errar e tornar-se passíveis de repreensão. Aqui encontramos um baluarte da fé na Igreja apostólica, cair em falta. Pedro é repreendido por Paulo pela prática de algo contrário aos princípios evangélicos. A repreensão está ligada ao rito da circuncisão. Quando, porém, Cristo veio, o Autor e centro da fé, este rito bem como todo o sistema cerimonial ficou destituído de valor espiritual prático.
PENSE – “Esta revelação de fraqueza da parte daqueles que haviam sido respeitados e amados como dirigentes, produziu dolorosa impressão na mente dos crentes gentios. A igreja foi ameaçada de divisão. Mas Paulo, que viu a subversiva influência do erro praticado para com a igreja pela duplicidade de atitude da parte de Pedro, reprovou-o abertamente por dissimular assim seus verdadeiros sentimentos”. - AA. pág. 198.
DESAFIO – “Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, enfrentei-o face a face, por sua atitude condenável”. – Gál. 2:11 – NVI.
ESTUDO ADICIONAL – Ressurge o velho Pedro precipitado, sem firmeza espiritual. Quantas vezes pensamos nestes heróis da fé como homens invulneráveis às investidas e insinuações do inimigo e, no entanto, também eles tiveram seus momentos de indecisão, de fraqueza, quando facilmente eram envolvidos pelas malhas do tentador, engenhosamente entretecidas. Uma queda, porém, não implica em derrota, e no poder de Deus erguiam-se para triunfar. São exemplos dignos e merecedores de imitação.
A influência de um líder é contagiante, eis porque sua posição está envolvida em grandes responsabilidades. Um gesto seu pode decidir uma questão para o bem ou para o mal. A atitude de Pedro estava levando a conseqüências desastrosas, evitadas pela pronta e positiva ação de Paulo. Juntamente com ele, outros judeus cristãos começaram a afastar-se dos gentios dissimulando, encobrindo sua verdadeira fé, a ponto de outro ministro, Barnabé, incorrer no mesmo erro.
A repreensão franca de Paulo estava ligada a atitudes assumidas por Pedro em relação à praticas cerimoniais. Estas práticas tiveram sua grande importância até a morte de Cristo sobre a cruz, pois ensinavam aos adoradores israelitas a vinda deste dia de glória e libertação. Mas Pedro, que era um líder, que combateu os primeiros combates depois da cruz, exaltando a salvação pela fé na graça manifestada em Jesus sem a intermediação dos símbolos; que havia participado da decisão do concílio em Jerusalém a respeito da inutilidade dos símbolos perante a presença real de Jesus, agora estava voltando a eles em desconcertante contradição a ele mesmo.
Esta atitude de hipocrisia e temor levou Paulo a repreender pública e severamente seu colega de ministério. No argumento a clareza é palpável: Pedro, judeu por nascimento, abandonara a intermediação dos símbolos cerimoniais e aceitara, vivia e pregava a experiência cristã da fé, compreendendo-a, portanto, perfeitamente. Diante de conterrâneos cerimonialistas, porém, temia professar a sua verdadeira fé. O verso sugere que no seu disfarce chegou a ensinar aos gentios certos ritos cerimoniais: “Obrigas os gentios...”.
PENSE – “Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas na presença de todos: Se, sendo tu judeu, vives como gentio, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?”
DESAFIO – “Pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus”. – Gál. 3:27 e 28 – NVI.
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