Comentarios da Lição da Escola Sabatina
feitos pelo pastor Albino Marks
Lição 01 - PARA TAL TEMPO COMO ESTE: O APÓSTOLO PAULO
Pr. Albino Marks
“Portanto, eu me glorio em Cristo Jesus em meu serviço a Deus”. Rom. 15:17 –NVI.
INTRODUÇÃO – A Bíblia de Jerusalém transmite uma idéia muito interessante na maneira de traduzir o verso 20 de Isaías 8: “À instrução e ao testemunho! Se eles não falarem de acordo com esta palavra, certamente não nascerá para eles a aurora”.
Não há esperança para aquele que se afasta das orientações divinas para seu modo de vida. Outras fontes podem ser consultadas, mas elas não apresentam um caminho que conduza para o alvorecer. São caminhos sem esperança.
Isaias referiu-se aos necromantes e adivinhos. Nabucodonozor recorreu aos sábios, magos, encantadores e feiticeiros. Hoje temos uma gama bem diversificada de informantes: bola de cristal, tarô, cartas, horóscopos, astrólogos e outros mais. Todos caminhos sem esperança.
O ser humano foi feito de tal modo que precisa de esperança. A esperança é a mola propulsora que impulsiona o homem para as atividades e realizações. A esperança é a adrenalina espiritual que confere energia ao homem nos momentos mais difíceis e árduos de sua peregrinação. A esperança impulsiona o homem para as conquistas mesmo sob sacrifício.
Quando o homem é despojado da esperança, torna-se um espectro ambulante, vegetando sem rumo. Destruída a esperança de um homem, destruído fica o homem.
Sem Deus, o caminho apresenta-se angustiante, escuro, eivado de ansiedades e envolto em densas trevas. Que coisas boas existem afastado de Deus?
O ser humano mais do que nunca necessita de mensageiros da esperança. Deus espera isso de cada embaixador Seu
PENSE – “Mas os perversos são como o mar agitado, que não se pode aquietar, cujas águas lançam de si lama e lodo. Para os perversos, diz o meu Deus, não há paz”. – Is. 57:20 e 21.
DESAFIO – “E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou o seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu”. – Rom. 5:5 - NVI.
A ORIGEM DE PAULO – Paulo era judeu nascido fora dos limites de sua pátria. Intelecto brilhante, desde cedo demonstrou sua inclinação natural e seu ardor pelo estudo dos escritos sagrados de seu tempo, que se tornaram conhecidos como o Velho Testamento.
Como era filho de pais judeus, mas nascido na província da Cilícia, região que também estava sob o domínio romano, desfrutou o privilégio do direito de dupla cidadania: Judeu por sangue e romano por nascimento. Esse privilégio valeu-lhe benefícios em determinadas situações, mas também pode ter influído em sua personalidade arrojada e destemida, para trazer conseqüências que contribuíram para encurtar sua brilhante carreira de pregador das boas novas do Evangelho.
Passando a viver em Jerusalém, desde os dias de sua meninice foi instruído por um dos mais renomados mestres da lei, Gamaliel. Seu brilhantismo foi reconhecido por aqueles que lhe ministraram o ensino e no tempo oportuno passou a fazer parte do Sinédrio, que era o corpo diretivo do judaísmo.
Como ele mesmo declara em sua carta aos Gálatas: “No judaísmo, eu superava a maioria dos judeus da minha idade, e era extremamente zeloso das tradições dos meus antepassados”. – Gal. 1:14 – NVI.
Este fervor espiritual em caminho eivado de erros, formando uma conduta em oposição aos claros ensinos da Palavra de Deus, não escapou aos olhos de Cristo, que o vocacionou para expandir as boas novas de salvação pelo mundo conhecido de então.
Oriundo de Tarso da Cilícia, logo após a sua conversão sentiu o apóstolo o peso de sua primeira e grande responsabilidade - anunciar a mensagem da cruz aos familiares.
PENSE – “Enquanto o amarravam a fim de açoitá-lo, Paulo disse ao centurião que ali estava: ‘Vocês têm o direto de açoitar um cidadão romano sem que ele tenha sido condenado?’” – At. 22:25 – NVI.
DESAFIO – “Posso testemunhar que eles têm zelo por Deus. Mas o seu zelo não se baseia no conhecimento”. – Rom. 10:2 – NVI.
PAULO: CONVERSÃO E CHAMADO – Duas situações eram motivo de glória para Paulo: A sua dupla cidadania e o chamado para ser embaixador em nome de Jesus em favor de pecadores. Considerando-se o menor e mesmo indigno “de ser chamado apóstolo”, - I Cor. 15:9, era, não obstante, um “enviado” do Soberano do Universo. Este chamado, abaixo da excelência de Cristo, era-lhe o mais precioso bem. Jamais se envergonhara dele; exaltara-o sempre. Ele era um embaixador “em nome de Cristo”.
Paulo gloriava-se de seu chamado, pois tivera um privilégio todo especial: “Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo homens. Porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo”.
Eis a glória de Paulo. Muitos servos de Deus do passado tornaram-se embaixadores do Reino recebendo o chamado por um intermediário humano. Com ele, não fora assim. Mas, se os onze apóstolos fiéis, foram chamados de modo singular, e isto os colocava em pedestal de honra, maior honra lhe caberia porque a sua vocação fora mais extraordinária ainda.
Relembra seu encontro com Cristo na lendária estrada para Damasco. Jamais diminuiu a vocação dos apóstolos que tiveram o privilégio de fruir a presença pessoal de Jesus. Estivera com eles, contudo, quando se havia despojado de Sua glória; Paulo O encontrara glorificado. Eis porque o seu chamado era mais glorioso.
Sua mensagem provinha diretamente de Jesus e de Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos. Também aqui não houve intermediário. Recebeu-a em visões, provavelmente, durante os três anos passados no deserto da Arábia.
PENSE – “Pois assim o Senhor nos ordenou: ‘Eu fiz de você luz para os gentios, para que você leve a salvação até aos confins da terra’”. – At. 13:47 – NVI.
DESAFIO – “Então perguntei: Quem és tu, Senhor? Respondeu o Senhor: ‘Sou Jesus, a quem você está perseguindo’. ... ‘Assim, rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial’”. – At. 26:15 e 19 – NVI.
PAULO: HOMEM “SUJEITO AOS MESMOS SENTIMENTOS” – Deus chama as pessoas tais como elas são e então trabalha mediante o Espírito Santo para transformá-las à Sua semelhança. Foi o que sucedeu com Paulo, com tantos outros e ainda continua acontecendo em nossos dias.
Os grandes homens, os líderes do trabalho em favor da causa de Deus também podem errar e cair nas ciladas do inimigo. Paulo, um baluarte da fé na Igreja apostólica, teve suas fraquezas.
No incidente com Marcos, mostrou-se irredutível mesmo ante a insistência de seu companheiro e introdutor na igreja apostólica, o amável Barnabé. Posteriormente reconheceu o valor de Marcos. Na luta contra a sua forte natureza carnal, ele reconhece que freqüentes vezes praticava as coisas erradas que não desejava praticar. No entanto, também teve a nobreza de reconhecer que Deus permitia situações adversas para que conservasse um espírito de humildade e submissão à vontade divina.
Quantas vezes pensamos nestes heróis da fé como homens invulneráveis às investidas e insinuações do inimigo e, no entanto, também eles tiveram seus momentos de indecisão, de fraqueza, quando facilmente eram envolvidos pelas malhas do tentador, engenhosamente entretecidas. Uma queda, porém, não implica em derrota, e no poder de Deus erguiam-se para triunfar. São exemplos dignos e merecedores de imitação.
É oportuno lembrar que a influência de um líder é contagiante, eis porque sua posição está envolvida em grandes responsabilidades. Um gesto seu pode decidir uma questão para o bem ou para o mal.
PENSE – “Miserável homem que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?” - Rom. 7:24 – NVI.
DESAFIO – “Mas esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado”. – I Cor. 9:27 – NVI.
VIDA E SALVAÇÃO POR CRISTO – O amor e a graça de Deus revelada em Cristo, oferecendo a reconciliação e a restauração para o homem caído, é o grande tema de Paulo. É o inesgotável tema das Escrituras. Precisa ser o centro de toda mensagem evangelística. “Seja a ciência da salvação o tema central de todo sermão, de todo hino. Seja ele manifestado em toda súplica. Não introduzais em vossas pregações coisa alguma que seja um suplemento a Cristo, a sabedoria e o poder de Deus... Revelai o caminho da paz à alma turbada e acabrunhada, e manifestai a graça e suficiência do Salvador”. - OE. pág. 160.
Constitui-se o amor e a graça na mais grandiosa manifestação de Deus ao homem. A vida das criaturas de Deus é dependente de Sua graça. Adão e Eva ao sair das mãos de Deus possuíam vida por graça. Quando pela desobediência foram envolvidos pelo pecado, a graça foi manifesta em superabundância para resgatá-los Tão profunda e ilimitada é esta dádiva estupenda, que na eternidade porvir os salvos a estudarão sempre, nunca a esgotando.
Somos salvos unicamente por graça, sem poder apresentar mérito algum. A única coisa que podemos fazer como pecadores, é aceitar ou rejeitar a oferta gratuita de Deus. Aceitando-a, a graça envolve-nos, e o amor de Deus cobre e apaga uma multidão de pecados, e de condenados a eterno infortúnio, morrendo para sempre, passamos a ser filhos e filhas, herdeiros e co-herdeiros com Cristo para viver para sempre. (Rom. 8:17).
Esta mensagem dominou a vida de Paulo de tal modo que declarou: “Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado”. – I Cor. 2:2 – NVI.
PENSE – “Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida!” - Rom. 5:10 – NVI.
DESAFIO – “Vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça”. – Rom. 6:18 - NVI
TEMAS DE ESPERANÇA – Paulo foi um mensageiro de esperança. Sobre a mais triste e cruel realidade do ser humano, a morte, ele gravou poderosas mensagens de esperança. Paulo crê na morte do homem como um todo e na ressurreição e segunda vinda de Jesus, para a restauração do homem como um todo. Falando do homem no estado da morte, declara: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos”. – I Cor. 15:17 e 18.
Paulo tem a firme convicção de que todos os que morrem passam a dormir o sono da morte. Na teologia de Paulo não se encontra nenhum argumento que permita qualquer evidência de que os mortos, ou vão para o céu ou para o inferno, dependendo da recompensa merecida.
Paulo declarou que ele foi arrebatado ao terceiro céu e viu e ouviu coisas que não conseguia transmitir em palavras de seu vocabulário, nas línguas sobre as quais tinha pleno domínio. Teve estas visões e ouviu as palavras estando vivo. Lázaro, que morreu, não teve absolutamente nada para relatar. A morte e ressurreição de Lázaro confirmam o ensino de Paulo e dos escritores bíblico sobre os mortos: “Os vivos sabem: morrerão; mas os mortos não sabem coisa alguma. Para eles já não há mais recompensa, pois sua memória é esquecida”. – Ecles. 9:5 – TEB.
É impossível harmonizar a doutrina da segunda vinda de Jesus e a ressurreição dos mortos com a doutrina das almas imortais. No entanto, toda a dificuldade desaparece, quando compreendemos o correto ensino da Escritura. A Escritura ensina que, para aqueles que aceitaram e aqueles que aceitam a Cristo, como a única esperança de vida, nascerá a gloriosa manhã da ressurreição, quando Cristo vier com milhares de anjos buscar os Seus amigos.
PENSE – “Muitos esperavam ouvir de Lázaro uma história maravilhosa das cenas testemunhadas depois da morte. Surpreendiam-se de que ele não lhes contasse coisa alguma. Não tinha nada para contar a respeito. Declara a inspiração: ‘Os mortos não sabem coisa alguma. … O seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já passaram’. Mas tinha um maravilhoso testemunho à dar por Cristo. Para esse fim fôra ressuscitado. Com segurança e poder, declarava que Jesus era o Filho de Deus”. – DTN. págs. 557 e 558.
DESAFIO – “Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: ‘A morte foi destruída pela vitória’. ‘Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?’” - I Cor. 15:54 e 55 - NVI.
ESTUDO ADICIONAL – Escrevendo aos Gálatas, Paulo fala de seu chamado: “Porventura procuro eu agora o favor dos homens, ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo”. – Gal. 1:10 – ARA.
Certamente após a gloriosa aparição de Jesus, fora ele tenazmente assaltado pelos judeus ritualistas. Suas esperanças centralizavam-se naquele jovem de brilhante intelecto, incontido zelo e ardor incomparável. Por certo intentaram fasciná-lo com o ouropel da glorificação humana. Indubitavelmente em pouco tempo teria galgado o pináculo da fama, entre os seus pares judaizantes se tão somente agradasse a homens.
Ele, no entanto, volvera seu olhar para o alto. Seu coração ligou-se a Deus e a Sua causa redentora. Todas as suas afeições centralizavam-se em Cristo, o Salvador. Na vergonha da cruz estava a sua glória.
Seu único interesse era agradar a Deus, que o comissionara com a mais gloriosa tarefa - embaixador do Seu Reino.
Como é fácil negligenciar a obra deixando de proclamar mensagens importantes, simplesmente para tornar-se agradável a homens. Quantas vezes os princípios são relegados quando tratamos de membro de importância, desfrutando de prestígio na sociedade. Paulo, incontestavelmente conhecia a mensagem do profeta Jeremias: “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente”. - Jer. 48:10 – ARA.
Paulo compreendera perfeitamente a grandeza do privilégio, bem como os magnos encargos da tarefa. Jamais, com todas as tribulações, trocaria a recompensa eterna do fiel atalaia do rebanho de Cristo pela transitória satisfação do louvor humano. “Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo”.
PENSE – “Cristo, o Pastor-chefe, confiou o cuidado de Seu rebanho a Seus ministros, como pastores ajudantes; e ordena-lhes que tenham o mesmo interesse que Ele manifestou, e sintam a responsabilidade sagrada do encargo que lhes cometeu. Mandou-lhes solenemente que sejam fiéis, que alimentem o rebanho, que fortaleçam as fracas, que reanimem as desfalecidas, e as defendam dos lobos devoradores”. - PP. pág. 191.
DESAFIO – “Todos serão chamados a prestar contas estritas de seu ministério”. - PP. pág. 192.
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